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Era uma vez um menino e uma menina

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Contexto:ESPAÇO DO MORADOR - Modalidade:NOSSO VIZINHO - Area: - Evento:


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Modalidade: NOSSO VIZINHO
Contexto: ESPAÇO DO MORADOR
Evento:

04/11/2013

Ttulo: Aplaudido roteirista que é nosso vizinho

Manchete:

Resumo:



legendaFoto: Jeronymo G. Bandeira de Mello
Modalidade: NOSSO VIZINHO
Contexto: ESPAÇO DO MORADOR
Evento:

03/08/2011

Ttulo: Era uma vez um menino e uma menina

Manchete:

Resumo:


Homenagem à Tatiana Belinky.

Autora de 94 anos estava internada havia 11 dias e morreu no dia 15 de junho. Colaborou com a Vivapac com entrevistas e poesias.



O sorriso afável e a conversa animada de Tatiana Belinky deixarão saudades. Ela soube contar como poucos a inocencia da infancia, a doçura da juventude e o encanto do amor eterno (pelo marido). Plantou as raizes da sua vida no Pacaembu e as do Sitio do Pica-Pau Amarelo - do amigo Monteiro Lobato - na TV. 

Colaboradora da Viva Pac em poesias e entrevistas, um dos nossos encontros resultou no texto abaixo, publicado no boletim Vivapac de Set/Out de 2009 (anexo). Também pode ser lido no link do site: http://vivapacaembu.com.br/detNot.asp?id=96&contexto=04


TATIANA BELINKY, A CRIANÇA DE 90 ANOS

Era uma vez um vale verde, uma casa aqui, outra lá, rasgada por uma rua larga, comprida, de chão de terra batida onde uma menina sonhadora, de olhos brilhantes, de dez anos, pedala sua bicicleta com a curiosidade de quem vai ter muito que falar...

Assim Tatiana Belinky, uma das mais antigas moradoras do bairro, recorda sua história de amor com este pedaço da cidade: ela “bicicletando” pela Avenida Pacaembu. 

"Porque, para quem sabe prestar atenção em cada pequena coisa que acontece - ou não acontece, é só pensada ou imaginada -, a vida de todos os dias é cheia de coisas bonitas, alegres, tristes, intrigantes... É só cada um usar os seus "olhos de ver", sabiam?" Esta forma de ver o cotidiano fez e faz toda a diferença: “Veja que lindo! Ouça!” - faz pausa para mostrar o canto dos pássaros quebrando o silêncio. “É por isso tudo, por este verde, esta calma que o Pacaembu tem que ser preservado.”

“Sou antiga, mas não sou velha, porque dentro de mim continua viva a criança que fui”, emenda a premiada autora de livros infanto-juvenis que mora na mesma casa há mais de 50 anos. 

“Um dia, minha neta, então com 7 anos, entrou correndo, olhou para mim e disse ‘ Sabe Tati, livro que não dá pra rir, não dá pra chorar e não dá pra ter medo não tem graça. ’ É isso aí.”. Tatiana fala da família, dos pais, filhos, netos e bisnetos. O marido? “Que homem bonito! Como é que pode?” Foi seu parceiro na vida, nos livros e... Continua apaixonada por Júlio Gouveia.

“A única coisa que trouxe da Europa comigo foi um livro, tenho até hoje... E uma correntinha de ouro, fininha - porque imigrante não pode trazer muita coisa - que dei para ajudar a Revolução Constitucionalista de 32, e troquei por uma aliança que tenho até hoje.” Tinha 12 anos e “já sabia o que é cidadania.”

“Quando cheguei ao Brasil, no porto, vi um cacho de bananas e fiquei admirada. Eu nuca tinha visto um cacho, só a banana sozinha, solta. Como é que podia?”

Emília, de Monteiro Lobato é a sua heroína. Aliás, Lobato está presente em sua vida desde que chegou aqui: aprendeu português com a história de Jeca Tatu no folheto do Biotônico Fontoura; anos depois, junto com o marido, adaptou o Sítio do Pica-Pau Amarelo para a antiga TV Tupi.

Conversar com Tatiana é mergulhar num livro da Grande Literatura. Os fatos vão se sucedendo como capítulos, pontuados pelo olhar vivo e sagaz de quem sempre mantém aceso o amor pela vida. 

“Meu pai dizia que eu não fazia rimas. Eu era ‘trança-letras’.” Gosta de fazer limeriques, pequenos poemas de cinco versos, cheios de humor. Sugeri que fizesse um sobre o Pacaembu. Ainda não tinha chegado em casa e tocou o celular. “Sou eu, Tatiana. Fiz três limeriques, veja o que você acha. Pacaembu é difícil de rimar.” Ao buscar seus escritos, propus que colaborasse com o nosso jornal. Agora, a cada edição, teremos um limerique de Tatiana Belinky!

Entrevista concedida a Claudia Sodré.